Fórum Francal

19/05 - HAPPY HOUR

DE CONFRATERNIZAÇÃO

Expomusic Regional Recife é uma feira de negócios, contatos, trocas e experimentações, mas vai além destes momentos profissionais. Trata-se de um setor que combina negócios e música, permeia produções com criações, envolve técnicos e a busca pelo apuro sonoro. Esse ecossistema composto por lojistas especializados, músicos, representantes comerciais da área e expositores precisa de um momento de agregação, com música, de preferência. Assim, a organização da Feira preparou um happy hour com uma atração musical que tocasse, ao vivo e sob luzes coloridas, o que se vendia entre corredores e estandes.
O presidente da Associação Brasileira de Música (Abemúsica), Synésio Batista da Costa, explicou, logo na abertura do encontro, que o modelo Expomusic Regional era uma novidade e os indicadores vindos do Recife sinalizavam que o formato precisa percorrer o País. “Começamos aqui e temos outras praças a fazer negócios”, disse. “O País recebe novos consumidores todos os dias e o mercado precisa acompanhar essa evolução”, complementou.
A gerente de negócios da Francal Feira, Maria Amélia Abdala, classificou o happy hour musical como um momento de desconcentração da Expomusic Regional Recife. “É a hora em que expositores, representantes, lojistas e visitantes se reúnem em torno do objetivo final da sua atividade, a música”, contou.
Outro aspecto contribuiu para o sucesso do momento. Entre compradores, vendedores, músicos e técnicos de som, a conversa sempre gira em torno de possibilidades, de arranjos, de acertos. A conversa pode ser sobre negócios, mas também pode ser uma hipótese: quais as possibilidades em se juntar um equipamento elétrico com um acústico? Que melhor efeito uma pedaleira pode contribuir em uma apresentação? O que acontece ao se tocar frevo com mais cordas do que metais?
Com estas perguntas musicais, o produtor Amaury Pinto Júnior fez uma apresentação de alto nível. No palco, Bia Villa-Chan, com voz e bandolim, Ciano Alves, na flauta transversa, Bráulio Araújo, no baixo, Luciano Magno, na guitarra, e Diógenes Drummer, com a bateria. Um show com pérolas da música nordestina e muito da alma sonora brasileira. “Um verdadeiro free nordestino”, resumiu Amaury.
A composição também teve participações especiais. Marcelo Melo, líder o Quinteto Violado, contribuiu com “Asa Branca”, um hino nordestino, como ele mesmo registrou. Marcelo estava em casa: Ciano, na transversa, fez parte da formação original quinteto.
O que antes eram interrogações viraram exclamações, ao criar uma parceria entre guitarra e bandolim para se rasgar um frevo, tão pernambucano. Outras experimentações, como a flauta transversa permitindo a melhor interpretação da “Feira de Mangaió”, de Sivuca.
Além do intangível, o som, a apresentação serviu como uma exibição real do que muito se falou nos estandes da Expomusic. Bia Villa-Chan elogiou a digitação macia do bandolim Godin, que utilizou e ficou satisfeita com o efeito que a pedaleira A8 produziu no seu instrumento. “Adequado para o timbre do frevo”, comentou. Antes da apresentação, Marcelo Melo fez questão de conhecer as novidades da Fender. “A marca não possui uma guitarra com nylon e vou aproveitar para experimentá-la”, disse. O sistema de luzes da Open Smoke também deu conta do recado, em alto e bom som com amplificadores, prés e caixas que, minutos antes, estavam em exposição.